TREINO BÁSICO E ESCOLA NAS WAFFEN-SS EM 1944

por Hans Schmidt

 Os aquartelamentos do Batalhão de Substituição e Treino de Infantaria Número 1 das SS, a designação oficial da unidade para o qual fui destacado, eram instalações acabadas de fazer, e alguns dos edifícios mais altos, de três andares, ainda não estavam acabados quando eu cheguei. Ainda me lembro bem da minha caminhada desde a pequena estação de comboios de Breslau-Lissa, um subúrbio da cidade Alemã de Breslau, até aos aquartelamentos. Sentia um nó apertado no estômago  quando à distância observei a casa da guarda da base com uma enorme bandeira das SS a esvoaçar sobre a entrada. Durante anos que eu ouvira histórias sobre o difícil treino básico que os recrutas das Waffen-SS tinham que suportar antes de serem destacados para as divisões de combate, e calculei que a minha atitude de encarar todas as coisas facilmente seria posta perante uma severa prova.

 Contudo, quando me apresentei ao U.v.D. (o oficial não destacado responsável pela casa da guarda naquele dia,) ele foi bastante simpático, e até me auxiliou, e não houve nenhuma da humilhação que eu tinha visto no que toca aos novos recrutas do exército Regular Alemão quando visitei o aquartelamento dos Panzergrenadier em Landau na Palatine alguns meses antes.

 Dentro de uma hora já me encontrava na companhia de cerca de uma dezena de outros rapazes e adolescentes da minha idade – tal como eu todos acabados de chegar. Logo fomos uniformizados com dois uniformes, com o tamanho correcto, cada um, (um sendo o uniforme de campo cinzento normal e o outro as riscas das SS de um padrão de uniforme camuflado,) e foi-nos fornecido todos os apetrechos que complementam um soldado. Incluindo uma carabina 98k, um capacete e uma máscara de gás, entre outras coisas. Era de nossa responsabilidade coser a águia com a suástica na manga esquerda dos nossos uniformes, e as etiquetas das SS nos colarinhos do uniforme de campo cinzento. Não foram fornecidas etiquetas de identificação uma vez que os batalhões de substituição não as possuíam, e ainda estávamos longe de ser destacados a unidades específicas. Como era um costume nas forças armadas Alemãs, todas as peças de roupa e equipamento eram registadas no novo Soldbuch (livro de pagamentos) que recebemos na primeira semana da nossa digressão pelos nossos deveres, a qual nos foi acautelado que carregássemos sempre connosco. Na noite do primeiro dia nos aquartelamentos de Lissa, tinha começado a minha vida de soldado. Não se esqueçam: Nas Waffen-SS as cabeças dos novos recrutas não eram rapadas nem tínhamos de cortar o cabelo muito curto.

 O comboio que me tinha levado através da Alemanha de Saarbrücken a Breslan na Silésia (cerca de 500 milhas,) na altura uma bela cidade Alemã com 700 anos e cerca de 630.000 habitantes (99% Alemães), passou surpreendentemente no tempo. Pelo caminho vi muita destruição causada pelas frotas de bombardeiros dos aliados mas de algum modo o Reich ainda estava repleto de energia, e as pessoas com que tive de contactar eram muito bem dispostas e úteis. Na altura, a capital Silesiana era uma cidadela da avançada cultura Alemã, com um grande número de instituições de ensino superior (incluindo uma das melhores universidades da Alemanha,) e, devido à ausência de vilões Franceses que haviam devastado o meu estado natal por séculos, Bresnau tinha, provavelmente, mais monumentos culturais no seu interior do que os que podiam ser encontrados em toda a Saarland. Breslau recebeu o seu galardão de cidade em 1231, e tanto a sua catedral como a bela câmara da cidade (construída no séc. XV) tiveram um impacto durador em mim. Também devo fazer uma menção de que pela altura em que cheguei a Breslau a cidade não tinha passado por um único ataque aéreo sério durante toda a guerra, e não haviam ruínas nem tão pouco janelas partidas.

 Pouco se apercebiam os orgulhosos inquilinos de Bresnau de que no ano seguinte a sua cidade iria ser extensamente destruída como resultado de um cerco que duraria de Janeiro até Maio de 1945. Eventualmente (por volta de 1946) todos os habitantes da cidade seriam expulsos pelos novos "donos" Polacos da capital da Silésia com nada mais do que as roupas que tinham no corpo, e enviados para a povoada parte que sobrou da Alemanha.

 A vila de Lissa, onde estava situada a base das Waffen-SS, ficava a apenas cerca de 10 milhas do centro de Breslau. A vila tornou-se famosa na Guerra dos Sete Anos (1756-1763), quando logo depois da Batalha de Leuthen (1957) ganha pelas suas forças, o rei Prussiano Frederico o Grande deslocou-se praticamente sozinho para a pequena Schloss (castelo/residência feudal) de Lissa, onde subitamente se encontrou rodeado pelos  mais importantes generais de todo o exército inimigo (neste caso, os Austríacos) que prontamente tomou como prisioneiros de guerra.

 O treino básico de recebemos em Breslau-Lissa foi, como já era esperado, duro. Éramos levados até aos limites da nossa resistência física e das nossas faculdades mentais. Para mim, pessoalmente, a pior experiência foi a privação de sono que em breve se tornara uma norma. Enquanto na maior parte das instalações das forças armadas Alemãs a alvorada era às seis horas da manhã, nas Waffen-SS a alvorada era feita uma hora mais cedo, e para endurecer-mos os nossos corpos, tínhamos de tomar duches frios. Uma vez, após um longo e extenuante treino nocturno, pelo que parece adormeci enquanto marchava, e em vez de estar numa das fileiras em frente da coluna, o meu local habitual, no percurso de volta aos aquartelamentos, dei por mim na cauda da companhia quando chegamos à base.

 Durante o período do nosso treino básico, os meus camaradas acharam muita graça à minha fixação numa boa noite de sono e na boa comida. Incidentemente, nesta base não passei nem vi nenhum assédio como o que parece ser endémico nas instalações do Exército dos EUA e dos Fuzileiros. Também não houve nenhum daqueles treinos estúpidos nos quais os soldados têm de atacar sacos de areia com as baionetas das suas espingardas, a gritar "Matar, matar, matar." E enquanto o nosso "Ausbilder" (instrutor) gritava connosco íamos sempre a correr esforçadamente de todas as fezes, não estavam autorizados e tocar-nos, ou a chegarem demasiado perto sem a nossa permissão. Mantínhamos tanto a nossa integridade, e o nosso individualismo. Nunca acreditei na teoria Americana de que é necessário destruir as características individuais dos jovens soldados para os tornar em melhores membros da equipa. Ainda acredito que a força de vontade e a determinação voluntária de fazer parte de uma unidade, e de ter razões sãs de se orgulhar disso, como era a razão de pertencer às Waffen-SS, é mais importante.

 Devido ao facto de todos nós termos ainda idades inferiores a 18 anos, e porque os nossos corpos ainda se estavam a desenvolver, eram tomadas medidas especiais para que recebêssemos uma nutrição correcta, e uma boa assistência médica. (Nas unidades das Waffen-SS com muitos soldados jovens, especialmente nas divisões da Hitlerjügend e Adolf Hitler, uma refeição de cereais ou arroz era servida logo de manhã. Isto fez com que  os soldados do exército chamassem denegridamente estas divisões de "Milchsuppen-Divisionen"; as divisões das sopitas de leite.

 Incongruentemente, recebíamos uma ração diária de alguns cigarros. Isto apesar do facto das pesquisas das SS anteriores à guerra terem demonstrado o mal que a nicotina podia fazer à saúde de uma pessoa. Só posso presumir que as rações de cigarros eram distribuídas apenas com base na igualdade da justiça, e porque os cabecilhas de Berlim não queriam abalar o barco enquanto se mantivesse a guerra. De qualquer modo, como eu não fumava, e não tinha qualquer inclinação para começar a fazê-lo, fiz o melhor que pude com a minha ração diária de cigarros. Passado algum tempo eu tinha o uniforme mais limpo de todos os recrutas da nossa companhia, e todos os objectos novos e de melhor qualidade disponíveis: Os soldados mais velhos e os oficiais não destacados no departamento de provisões podiam ser facilmente persuadidos com alguns cigarros.

 Um dia no início do meu treino em Breslau-Lissa, fui chamado, juntamente com outros da minha companhia, para me apresentar para um serviço de 24 horas na casa da guarda perto da entrada principal da base de Breslau-Liss. Depressa descobri que não gostava mesmo nada deste serviço. Nas forças armadas Alemãs do Terceiro Reich era costume que todo os destacamento dos guardas de serviço a determinada altura, normalmente uma esquadra de dez soldados, tinham de correr para for a da casa da guarda e saudar em formação e completamente vestidos (com armas e capacetes no alinhamento correcto,) sempre que um oficial de escalão superior estava a entrar ou a sair da base. E a mesma honra tinha de ser demonstrada a qualquer Ritterkreuzträger (algo semelhante aos portadores de uma Medalha de Honra), mesmo que fosse apenas um soldado raso. Depois de o ter feito uma só vez consegui, com os meus cigarros, nunca mais ser destacado para serviço de guarda enquanto estivesse em Breslau-Lissa, nem mesmo durante a noite e em volta do perímetro da base. Os cigarros que eu não necessitava para propósitos de negociatas eram enviados para o meu pai que estava na Noruega. Surpreendentemente, o sistema de  Feldpost (correio) Alemão ainda funcionava eficientemente em 1944. (Em algumas partes de Berlim o correio ainda era distribuído no dia 2 de Maio, 1945, após Hitler se ter suicidado.)

 Para aliviar a impressão de que os cigarros me tinham salvado de serviços aborrecidos, tenho de mencionar que, pelo contrário, em vez de estar de serviço na casa da guarda, era um assistente nos escritórios da companhia. Eu era muito bom a escrever à máquina e no serviço de escritório. Portanto, era geralmente chamado para ocupar o escritório da companhia quando os oficias não destacados, incluindo o Spiess (Sargento de Serviço) iam à cidade ou tinham outros deveres. Passado algum tempo foi-me confiada uma chave, e isto permitiu-me a continuar a minha extensa correspondência com familiares, amigos e antigos colegas de trabalho utilizando a máquina de escrever da companhia… … ..

 Enquanto a minha anterior notificação das Waffen-SS me tinha chamado para um destacamento num curso para oficias não destacados em Praga, brevemente se tornou aparente que um grupo de jovens em Breslau-Lissa tinha sido juntado pelos superiores das SS em Berlim havia levantado muitas esperanças. Após um período relativamente curto de treinos básicos recebido por todos os recrutas, em breve nos encontramos num cenário onde tudo parecia indicado para o treino de oficias. O principal pré requisito que todos nós, ou a maior parte,  possuía era o de ter demonstrado qualidades de liderança na Juventude Hitleriana, e das nossas cartas da escola demonstrarem que tínhamos um bom carácter. Em adição a isto, alguns dos meus camaradas tinham-se destacado tanto nos desportos ou em qualquer profissão seleccionada. Lembro-me de um sujeito de Sudeteland ter sido o campeão nacional de ski da Juventude Hitleriana em 1943, e outro que tinha deixado a sua marca como vencedor do Reichsberufswettkampf anual, um concurso no qual os melhores aprendizes e autodidactas de numerosas profissões, do artesanato ao talhante, e do sapateiro ao carpinteiro, competiam uns com os outros.

  A extensão do nosso treino pode ser vista a partir do facto de que não só aprendemos a utilizar a carabina padrão Alemã da II Guerra Mundial, nomeadamente, a Gewehr 98k, e como atirar Stiehlhangranaten (granadas de mão que parecem espremedores de batata.) Em retrospectiva posso dizer que aprendemos a mecânica e a utilização apropriada de todas as armas da infantaria Alemã na altura utilizadas, desde a famosa pistola Lager 08 da Primeira Guerra Mundial aos "canhões" duplos que tinhamos na base, o 750mm 1.I.G.18 (leichtes Infantarie-Geschütz 1918) e o 150mm howitzer s.I.G.33 (schweres Infantarie-Geschütz 1933). E, no caso destas últimas duas armas, aprendemos a preencher, numa situação de emergência, todas as posições necessárias para disparar esta arma, incluindo a de Geschützfüehrer, chefe da equipa da artilharia.

 Uma menção especial merecem os dois comandantes da nossa companhia, Obersturmführer (Primeiro Tenente) Walter Ludescher, e o meu chefe de pelotão durante o período em que estive a treinar em Breslau, Untersturmfüehrer(Segundo Tenente) Franz Budka. Ambos eram Austríacos, e ambos eram oficiais absolutamente fantásticos. Nenhum deles nos pedia que fizéssemos algo que eles próprios não estivessem dispostos a fazer, (por exemplo, num percurso de obstáculos) a em todas as alturas a sua preocupação honesta para com os seus encargos era aparente.

 Encontre Walter Ludescher apenas mais uma vez muito depois da guerra ter terminado; meio século antes tínhamos deixado Breslau-Lissa para a "Batalha do Bojo": Quase 50 anos depois da guerra encontramo-nos na sua residência em St. Pölten na Áustria, não muito longe do local onde eu combatera em Abril de 1945. Foi um encontro muito agradável apesar de, como era de esperar, Ludescher não se lembrar de mim. Surpreendentemente, ele tinha uma boa carreira como cantor de ópera após a guerra, e com orgulho mostrou-nos os álbuns de algumas das suas mais memoráveis aparições em palco e em cinema. Mesmo com quase 80 anos de idade, ainda tinha a rectidão ( e a boa aparência) de um soldado das Waffen-SS. Infelizmente, morreu pouco depois…

 Franz Budka tornou-se um dos heróis na defesa de Greslau quando a cidade estava sobre cerco do Exército Vermelho, e foi um dos últimos galardoados com a Ritterkreuz durante a guerra. A seguir apresento uma adenda ao Wehsrmachtsberich, o representante oficial da Whermacht Alemã, datada de 27 de Março de 1945 na qual é mencionado Franz Budka:

 "Na cidade fortaleza de Breslau, a primeira companhia de um regimento das SS sobre a capaz liderança do SS-Untersturmführer Budka conseguiu evitar todas as tentativas das forças inimigas em tentar penetrar nas linhas Alemãs. A luta ocorria geralmente nas bases dos blocos de apartamentos incendiados onde o calor chegava aos 60 graus Celsius(140 graus Fahrnheit). O inimigo sofreu elevadas baixas."

 O destino de Budka é aparentemente duvidoso. De acordo com um relato que tenho, pisou uma mina mesmo no final da guerra e foi morto instantaneamente. Outras fontes disseram-me à anos que foi ferido e tomado como cativo Soviético, e quem em 1952 sucumbiu ao cruel tratamento do sistema GULAG Bolchevista, enquanto trabalhava como um operário escravo nas minas de Vorkuta perto do Mar Árctico.

Extraído da web do Movimento Nacional-Socialista Atlântico