
INGRESSANDO NAS WAFFEN-SS
por Hans Schmidt
Abril de 1943 fiz dezasseis anos. Na altura estava empregado em Saarbrücken, no meu segundo ano como aprendiz de um negócio, na Kohlenhandelsgesellschaft, a corporação de trocas comercias formada por dinheiros públicos tinha (oficialmente) o controle da distribuição do carvão durante o tempo de guerra em todas as regiões do Saar, Palatine e Lorraine, na altura parte do Reich Alemão. O trabalho em si era maçador e, de certo modo, difícil para um adolescente que odiava ficar sentado horas sem fim em frente a uma máquina de escrever emitindo notas de encomendas, o colocando números em fim num arquivo em fila. Mas estava a decorrer uma guerra na qual a maior parte dos homens que normalmente desempenhavam estas tarefas estavam nas Forças Armadas, ou em qualquer outro lado a serviço do governo. Em vez deles, velhos veteranos da I Guerra Mundial, jovens donas de casa, e rapazes e raparigas aprendizes entre as idades dos 14 aos 18, tal como eu, mantinham as coisas a funcionar. Fizemo-lo bastante bem, devo admitir.
A guerra havia decididamente tomado um mau rumo para a Alemanha quando o restante do Sexto Exército foi forçado a capitular em Estalinegrado no fim de Janeiro de 1943. Mais de 250.000 homens cercaram esta cidade no rio Volga, a 2000 milhas da Alemanha, 90.000 sobreviventes ficaram cativos da Rússia após algum do mais destemido combate mãos a mãos da guerra, e desses apenas 5.000 ou 6.000 voltaram a rever a Alemanha. Enquanto 1942 tinha sido um ano relativamente normal para nós apesar de um bombardeio Britânico intenso em Saarbrücken que destruíra muito do interior da cidade, mas nenhuma das fábricas de metal nem outras indústrias que produziam materiais para a guerra, 1943 trouxe uma derrota atrás da outra. Depois dos sobreviventes do 6º Exército se terem rendido em Estalinegrado, o restante dos Afrika Korps passaram por um destino semelhante em Maio, e em Setembro seguinte a Itália trocou de lado na guerra, deixando a luta na península Italiana maioritariamente para as tropas Alemães. Em Julho de 1943, na saliência Kursk da frente Leste, decorreu a maior batalha de tanques da história, tendo a Wermacht sido impedida de alcançar o seu objectivo.
Richard, o meu irmão mais velho, havia largado o seu serviço no Serviço Laboral (Arbeitsdienst ou RAD) entre Novembro de 1942 e Fevereiro de 1943, e quase logo de seguida ingressou na Kriegsmarine como voluntário. Sendo ele apenas ano e meio mais velho que eu, isto significava que a partir do Outono de 1943 eu teria de considerar seriamente em que ramo das forças iria eu ingressar. Uma coisa era clara, principalmente depois do desastre de Estalinegrado onde um número não contado de cidadãos de Saarlander haviam sido perdidos: não tinha quaisquer intenções de me deixar ser levado, e de me tornar um soldado de infantaria na frente do Leste.
Ao voluntariar-me tinha muitas mais hipóteses de ser destacado para unidades colocadas em sítios mais exóticos tal como nas operações do Mediterrâneo, em França ou mesmo na Dinamarca, onde a comida supostamente ainda era abundante. No decorrer da guerra senti de facto a falta de bom pão, manteiga, mel e, principalmente, boas sobremesas com muito chantily. Se no outono de 1943 alguém me tivesse perguntado em que ramo dos serviços queria eu ingressar, eu teria dito a Luftwaffe. Devido ao facto de o Richard já ter ingressado na Marinha, e considerando e rivalidade sem fim entre nós dois, a Kriegsmarine estava eliminada desde o princípio. Mas tendo visto enormes armadas voadoras dos Aliados, por vezes consistindo de centenas de bombardeiros de quatro motores voando a grandes alturas resolutamente e parecendo intocáveis sobre Saarland em direcção ao Leste, para o Reich, tive o desejo sincero de me tornar piloto dum caça, e ajudar os nossos heróis tais como Adolf Galland, "Bubi" Hartmann, e outros, abatendo os "Lencasters", os "B17" e os "B24". Aliás, após consultar o escritório de recruta da Luftwaffe era claro que tudo o que podia esperar na Força Aérea Alemã era ser destacado para uma unidade antiaérea. Eu não possuía os pré requisitos educacionais para me tornar num piloto.
Mesmo um bom amigo meu que havia sido membro da Flieger-HJ (o ramo da Juventude Hitleriana mais próximo da Força Aérea,) e que havia ganho as suas asas como piloto de recreio, não foi aceite no programa de pilotos da Luftwaffe porque não possuía abitur, o restritivo diploma de liceu Alemão. Adolf Galland lamentou esta política estúpida no seu livro "O Primeiro e o Último".
Até cerca de um ano antes do final da guerra, as Waffen-SS eram o único ramo das Forças Armadas Alemãs cujas perdas na frente não poderiam ser recuperadas através da ingressão de fugitivos do serviço militar. Teoricamente pelo menos as Waffen-SS eram um exército completamente de voluntários, e alguns dos altos oficiais do exército regular estavam ansiosos por as manter assim, obviamente temiam a competição. O resultado era que os esforços das SS para adquirir a nata dos potenciais voluntários estavam bem afinados, e tentativas especiais eram feitas para descobrir rapazes com qualidades de liderança nos quadris da Juventude Hitleriana. Cartazes sobreviventes das Waffen-SS ainda demonstram o esforço que faziam para escavar o reservatório da Juventude Hitleriana em busca de futura mão de obra. Quanto aos meus (tardios) parcos conhecimentos, as Waffen-SS não tinham qualquer aquartelamento ou campo de treinos na Saarland. A maioria estavam localizados no centro da Alemanha, na Bavária e na Áustria, e também nas áreas ocupadas tal como o protectorado (antiga Checoslováquia) e na Holanda. Isto significou que eu tinha pouco contacto com este serviço antes de ingressar. Mesmo no quarto ano de guerra, os soldados das Waffen-SS que ocasionalmente passavam por Saarbrücken deixavam, como regra, uma impressão melhor do que a dos soldados da infantaria que voltavam para casa vindos da frente Leste. Os tipos das Waffen-SS andavam mais erectos, os seus uniformes estavam mais limpos e em melhor estado, e sem dúvida a consciência de pertencer a uma unidade de elite contribuía para a orgulhosa exibição dos jovens soldados que envergavam os nomes das suas famosas divisões como "Das Reich", "Totenkopf", "Wiking", "Adolf Hitler", "Hitlerjugend" e outras nas suas mangas.
Não me lembro de quando foi a primeira vez que fui a um centro de recruta das SS para me informar sobre a minha ingressão. Pode ter sido no verão de 1943, pouco depois de um grupo nosso, todos líderes menores da Juventude Hitleriana, termos sido convidados pelo exército regular para tomar parte de um retiro durante um fim de semana (na realidade um embuste para nos levar ao voluntariado) nos Panzergrenadiers em Landau na Palatine. Achei tudo muito interessante e fiquei surpreso pela limpeza dos aquartelamentos relativamente novos, e da boa comida que recebemos. Os oficiais com quem comunicamos, todos altamente condecorados, também nos deram uma boa impressão. Para além disso, não há qualquer dúvida de que admiramos as novas armas que nos foram mostradas, tais como a MG-42, óculos de visão nocturna e lançadores de petardos anti-tanque manuais. Foi-nos dito que muitas armas novas estavam a ser desenvolvidas. A única coisa de que não gostei foi do estúpido exercício de aquartelamento que pude observar à distância. No mesmo fim de semana do nosso retiro, um novo grupo de recrutas havia chegado a este local de treino, e alguns instrutores de treinos demasiado zelosos fizeram tudo o que podiam. Os que tinham acabado de chegar aparentemente receberam as botas e uniformes que lhes foram atirados sem ligarem aos seus tamanhos, e o espectáculo que observamos possuía as qualidades de uma comédia Italiana, enquanto os pobres desgraçados andavam com os seus mal vestidos uniformes vagueando de um lado para o outro, sendo constantemente assediados por idiotas que gritavam, nomeadamente, os mais odiosos instrutores que se podem imaginar. Soube pelas Waffen-SS que no seu ramo de serviços as ordens de Hitler sobre "nenhuns exercícios estúpidos nos aquartelamentos e nenhum assédio mal intencionado" havia sido (regra geral) seguido. Mas, obviamente, os instrutores do exército ainda se mantinham fiéis aos velhos métodos. Esta experiência eliminou o Exército regular de uma vez por todas das minhas escolhas, e pouco depois visitei o escritório das Waffen-SS em Saarbrücken.
Em Novembro de 1943, a Juventude Hitleriana escolheu alguns locais para diversos exercícios semi-militares em Wehrertüchtigungslager (para abreviar, "WE-Lager": "campo de treino defensivo") às unidades da HJ na nossa zona. Como eu estava numa posição de nomear os rapazes que podiam participar, não me esqueci de me colocar a mim na inscrição. O sistema WE-Lager havia sido instituído a metade da guerra com o intuito de providenciar aos rapazes adolescentes com algumas habilidades militares necessárias que não envolviam o uso de armas. Enquanto a organização geral destes campos estava nas mãos dos escritórios do Reich da Juventude Hitleriana localizada em Berlim, todos os instrutores eram oficiais e soldados rasos dos quatro serviços armados que devido a ferimentos ou a outras razões não podiam desempenhar as suas tarefas na frente. O meu patrão na Kohlenhandelsgesellschaft não ficou muito satisfeito quando o informei que estaria ausente por quase um mês. Principalmente porque tinha de continuar a pagar-me o pequeno ordenado enquanto eu estivesse for a. Mas gostei da minha estadia na WE-Lager perto de Bergzabern na Palatine. As instruções que recebemos lá abordavam muito sobre como se deviam comportar os soldados em campo, como escavar buracos correctamente, como se camuflarem, e como se orientarem com uma bússola. Mas o que considerei mais importante foi que a nutrição que recebemos era boa e abundante.
Quando finalmente fui a um centro de recruta das Waffen-SS para me alistar, disseram-me que devido à minha idade era necessária a permissão dos meus pais, e que nada podiam fazer até eu possuir uma classificação na prancha de destacamentos. Aqui devo perspectivar que devido à extensão da guerra, e como resultado do aumento das actividades aéreas do inimigo, já não era divertido estar na anteriormente bastante viva Saarbrücken. À excepção de um chá sintético adocicado, e também de um claro caldo de carne feito artificialmente, já nada mais podia ser adquirido nas lojas ou nas cantinas sem um cupão de racionamento. O clima de outono no final de Novembro de 1943 era bastante miserável; e a cidade estava parcialmente destruída, às escuras (devido à falha de luz), fria e suja. A concussão das bombas que haviam sido lançadas no principal distrito comercial da cidade não só haviam criado muitas ruínas como também havia deixado uma camada de pó de cimento que parecia penetrar em todos os cantos e suspender-se em todas as cornijas, e devido às bombas incendiárias, o horrível odor das casas queimadas sentia-se no interior de todos os edifícios públicos. Para o povo jovem como nós já não havia nada para fazer com excepção de desempenar tarefas relacionadas com a guerra como accionar as campainhas de aviso de ataque aéreo em fins de semana alternados, ou auxiliar os bombeiros depois dos aviões inimigos terem largado as suas bombas. Depois de Estalinegrado todos os negócios "desnecessários" haviam sido fechados, e incluíam os locais onde podíamos dançar. Voluntariar-nos para as forças militares era o único modo de nos afastarmos destas condições miseráveis.
Pouco depois de eu ter voltado da WE-Lager, a todos os rapazes nascidos em 1927 foi ordenado que aparecessem na placa de destacamentos local, e aí receber as suas classificações. Este evento foi acompanhado de uma exanimação médica. Devido ao murmúrio do meu coração, um resíduo da febre escarlatina de 1938, fui classificado "KV" (kriegsverwendungsfähig: "apto ao serviço em caso de guerra," semelhante a "a1" nos Estados Unidos) com o senão de que devia desempenhar apenas tarefas na artilharia na qual não teria de correr muito. Eu tenho uma força de ossos superior à média e estava apto a levantar petardos de artilharia de 100 libras.
Os maus pais assinaram os meus papeis de ingressão nas Waffen-SS, "por quatro anos, ou durante o decorrer da guerra, o que viesse mais tarde," apenas relutantemente. Ambos pensavam que com 16 anos e meio eu ainda era demasiado novo para ser um soldado. Contra defendi-me dos seus argumentos com o facto do irmão de meu pai, Richard, ter apenas 18 anos quando faleceu na frente Russa em 1916, durante a I Guerra Mundial, e mais ou menos a mesma idade que eu no final de 1943, quando ingressou os Ulans, a cavalaria, em 1915. Apesar disso, os tipos no centro de recruta das Waffen-SS tinham-me dito que havia uma boa hipótese de eu não ser chamado antes do meu 17º aniversário em Abril de 1944. Neste estágio os esforços de guerra ainda eram feitos de modo a que nenhum soldado fosse enviado para a guerra antes de alcançar o seu 18º aniversário. O meu pai, que esteve destacado num local desolado da costa Norueguesa, objectava-se mais à minha ingressão do que a minha mãe. Para além da desculpa da minha tenra idade ele também não ligava muito às Waffen-SS devido ao antagonismo, ou rivalidade, entre o partido N.S., ao qual ele pertencia, e à negra ou Allgemeine SS anteriormente à guerra. (Para ser justo devo dizer que ele também não gostava muito das SA, as tropas de serviço que envergavam camisa castanha, também.)
Deve ter sido pouco depois do Natal de 1943 quando, com uma diferença de poucos dias, recebi não só uma mas duas notas de ingressão. Ambas acompanhadas pelas devidas ordens e dos papéis que necessitava para utilizar o sistema dos caminhos de ferro de Saarbrücken até ao local do destacamento. Hoje já me esqueci que notificação chegou primeiro, mas uma era das Waffen-SS com o destacamento a uma escola qualquer para oficiais não destacados em Praga, e a outra da RAD (o Serviço Laboral) por três meses numa digressão na ilha de Borkum no Mar Norte. Eu fiquei ensoberbecido por finalmente me ver livre do fadigante emprego de escritório. Estar longe da família não era um problema para mim. Mesmo em criança nunca tive tendência à Heimweh, saudade de casa, que afecta muitas outras pessoas. Mas a recepção de duas notas de destacamento num curto período de tempo, era quase como se eu tivesse uma hipótese de escolha sobre o assunto, provando uma vez mais ser uma dessas "coincidências" que iriam influenciar em muito a minha vida futura.
Muitas vezes tinha a sensação de que um "anjo da guarda" estava a olhar por mim, e este incidente durante a guerra era apenas uma de tais ocasiões. Descobri as provas das ramificações da ocorrência de 1943 só vinte anos mais tarde durante uma visita à Alemanha quando encontrei a pessoa que havia feito um relato às Waffen-SS de Praga em meu favor:
Hans Balzert, um dos outros aprendizes do escritório tinha nascido em 1926 e já devia ter sido destacado mas, aparentemente, nenhum dos serviços armados estava demasiado ansioso para o ter nas suas fileiras. Presumo que as suas condições físicas não estavam suficientemente aptas. Tal como eu, Balzert não queria ser ingressado na infantaria do Exército, e ser enviado para a frente Leste. Ele também odiava continuar a trabalhar na "KHG Westmark" como lhe chamávamos abreviadamente. Quando apareci no escritório com as duas notas de destacamento e as mostrei, Balzert foi o primeiro a perguntar-me qual era a minha escolha. O facto era que, não me conseguia decidir. Ao destacarem-me (obviamente devido às minhas actividades de liderança na Juventude Hitleriana) a um tipo qualquer de escola, ou, melhor, curso especial, as Waffen-SS haviam sem dúvida adocicado a minha escolha. E apesar de eu sempre ter gostado do mar e estar ansioso para respirar o ar fresco do Mar Norte, também sabia que o clima na Alemanha do Norte era muito mais frio do que em Saarland ou na Boémia nesta altura do ano. E eu sempre desgostei do clima e da água fria. A ideia de Balzet era de que eu fosse à ilha de Borkum e à "RAD" antes. Ele mencionou que passados três meses eu ingressaria nas Waffen-SS de qualquer modo, e se calhar receber um destacamento ainda melhor que o de Praga. (Eu sabia que isto era bastante improvável uma vez que era bem sabido que de todas as áreas no território do Reich a comida no Protektorat Böhmen und Mähren ainda era a melhor. Lá, o leite era suposto ainda não estar diluído; as salsichas eram supostas ser tão boas como nos lembrava-mos delas antes da guerra, e – alegadamente – ainda se podiam comprar bolos e bolachas sem cupões de racionamento.) Balzert implorou-me que fosse com ele até à placa dos destacamentos para que pudessem mudar para ele as minhas ordens de marcha para Praga substituindo o meu nome pelo dele. E foi exactamente o que fiz.
Logo depois da guerra, quando eu ainda estava n Saarland e havia terminado a minha aprendizagem na "KHG Westmark", ninguém sabia o que tinha acontecido a Hans Balzert excepto que tinha desaparecido na frente Leste a metade de 1944. Também descobri que ele tinha sido destacado para a divisão "Wiking" das SS, composta maioritariamente por não Alemães, todo o tipo de voluntários "Nórdicos", que haviam ingressado com o intuito de combater o Judeo-Bolchevismo. No nosso escritório, onde ainda trabalhava a sua irmã, todos presumimos que Balzert estava morto. Pela altura em que deixei a minha pátria para emigrar para os Estados Unidos, o destino do meu substituto "alter ego" em Praga ainda era desconhecido. Finalmente, em 1961, 16 anos depois da guerra, pude visitar Saarbrücken novamente, e depois de ser informado de que Hans Balzert tinha eventualmente voltado de um campo de prisioneiros Soviético, encontramo-nos de novo. Uma vez que o destino deste sujeito teria sido o meu caso eu tivesse ido para Praga em vez de para uma ilha no Mar Norte, eu estava principalmente curioso em descobrir o que lhe havia acontecido. Ele disse-mo: Depois de ter chegado a Praga, Balzert não lhe foi atribuído o posto na escola de oficiais não destacados que estava prevista para mim. Em vez disso, passou por uns meses de treino básico intenso e foi brevemente enviado para a frente. Quando no verão de 1944 toda a frente no Leste da Alemanha colapsou, e mais soldados do que os que foram perdidos em Estalinegrado foram tornados cativos, Balzert estava entre os POW que foram enviados para o interior distante do império Soviético. Alguns anos depois da guerra, após ter sido mantido por cerca de quatro ou cinco anos no brutal GULAG (enquanto a sua família sofria por não saber se estava vivo ou morto,) foi libertado devido à sua doença. Quando o encontrei em 1961 ainda não tinha recuperado completamente do que lhe acontecera, e que eu saiba ele ficou doente pelo resto da sua vida. ---- Teria sido esse o meu destino?
A minha decisão de resumir primeiro o mau dever na RAD, provou ter sido a decisão mais correcta. Ainda não tendo dezassete anos quando cheguei à ilha de Borkum, eu ainda estava a crescer, e tanto o ar salgado e fresco como a comida decente que recebíamos nesta área da agricultura perto da fronteira Holandesa fez maravilhas aos nossos corpos. O trabalho físico que desempenhávamos, consistia na camuflagem da artilharia pesada Alemã na costa com redes, e erguendo os chamados "Rommel Spargel" (Rommel Asparagus: Postes de telefone colocados na areia da praia para incapacitar eventuais aterragens por parte dos Aliados,) fortaleceram os nossos músculos. Em tempo de paz o Serviço Laboral não estava armado e não recebia instruções sobre armamento, todos os exercícios nos aquartelamentos eram desempenhados com enxadas bastante polidas. Mas durante a guerra isto foi alterado, e para além das ferramentas para trabalhar na terra também nos era atribuído equipamento militar tal como espingardas, máscaras de gás, capacetes e coisas desse tipo. As nossas espingardas eram restos das Gewehr 98 da I Guerra Mundial. Esta arma era diferente da espingarda padrão Alemã da II Guerra Mundial, a Gewehr 98k ("k" significava kurz: curta) apenas porque era muito mais longa e portanto um pouco difícil de empunhar por rapazes novos. Por outro lado, o cano comprido permitia um tiro mais certo, e tal como na Juventude Hitleriana, eu dava-me bem em competições de tiro. Para além da comida ser boa e em quantidade suficiente, para minha surpresa também era ocasionalmente possível a compra de itens adicionais como figos e sardinhas em óleo no comissariado. E também haviam ocasiões em que podíamos comprar garrafas de meio litro de vinho barato. Que a maior parte de nós ainda eram demasiado novos nunca pareceu ter relevância neste aspecto. Na altura eu ainda não tinha desenvolvido um gosto por vinho, e usava a minha parte para me livrar da KP e do serviço de guarda, os quais eu odiava. Os momentos mais memoráveis da minha estadia de três meses em Borkum foi o abatimento de um caça Spitfire Britânico que voou demasiado baixo sobre a nossa base e se despenhou no mar, e a descoberta na praia, e consequente explosão pela parte dos peritos, de uma enorme mina inimiga que havia sido colocada no estuário do rio Ems.
Tendo completado o serviço na RAD, fui para casa por alguns dias, onde já estava à minha espera uma nota de serviço das Waffen-SS. Desta vez fui destacado para a substituição do batalhão das Waffen-SS em Breslau-Lissa na Silésia. Neste centro de treino uma unidade especial tinha sido formada na qual jovens adolescentes que tinham demonstrado qualidades de liderança na Juventude Hitleriana estavam a ser treinados como futuros oficiais das Waffen-SS. Foi lá que permaneci por quase todo o ano de 1944, até receber o meu destacamento para a Leibstandarte Adolf Hitler no início de Dezembro desse ano para tomar parte na Ofensiva de Ardennen, a "Batalha do Bojo".
Extraído da web do Movimento Nacional-Socialista Atlântico