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Imigração em Portugal  - Problemas e consequências

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Do pasquim Público...

"Combater a Ideia Falsa de Que a Imigração Rouba Postos de Trabalho"
Por ISABEL ARRIAGA E CUNHA, em Bruxelas
Sexta-feira, 18 de Maio de 2001

Entrevista com António Vitorino

Em entrevista ao PÚBLICO, António Vitorino, comissário europeu responsável pela definição de uma política comum de asilo e imigração, explica algumas das suas ideias na matéria. Defende, nomeadamente, a abertura controlada de canais legais de imigração para a União Europeia.

"Hoje, os Estados-membros [da União Europeia] estão conscientes de que há que terminar com a retórica insustentável da 'imigração zero', que não tem nenhuma comprovação na prática. Está a construir-se um consenso sobre os princípios de que é preciso definir uma política coordenada de imigração ao nível europeu", diz o comissário europeu António Vitorino. Na prática, o que é preciso é "combater a ideia feita - falsa - de que a imigração rouba postos de trabalho nas sociedades europeias".

 

IMIGPORT – Nos Estados Unidos, país com uma história longa de imigração, essa “ideia feita – falsa” foi provada verdadeira por vários investigadores, designadamente pelo Prof. George Borjas de Harvard (www.borjas.com) . Na Europa ainda não existem estudos comparáveis  o que demonstra a falta de honestidade e a demagogia deste Vitorino.

 

 É destes e de outros fantasmas, como aquele que sustenta que "a imigração é um fardo para o estado social", que António Vitorino nos fala nesta entrevista.

 

IMIGPORT – George Borjas, entre outros, demonstra claramente, para quem tiver dois dedos de testa, como estes fantasmas são bem reais.

PÚBLICO - Há um contraste entre a realidade no terreno - imigrantes ilegais, redes criminosas - e a lentidão com que os Estados-membros estão a aceitar criar as políticas comuns de asilo e emigração que prometeram na cimeira de Tampere, em Outubro de 1999. Concorda?


ANTÓNIO VITORINO - Há atrasos face ao calendário previsto em Tampere, porque as decisões nesta área têm de ser tomadas por unanimidade e porque é uma área muito recente na cultura da negociação política europeia. Há resistências da parte das administrações públicas e uma certa relutância em alterar as legislações nacionais em benefício de soluções comuns. Mas o panorama não é totalmente negativo: o que já se fez este ano revela que os Estados partilham a consciência da prioridade política desta área.

IMIGPORT – Já não é mau que tenham “consciência da prioridade política”.


Um dos pilares da sua política de imigração é acabar com a política de "imigração zero" e abrir canais legais de imigração. É possível inverter uma política de 30 anos?

Só é possível acabar com aquilo que existe, e a política de "imigração zero" só existe na retórica, não existe na prática. Hoje, os Estados-membros estão conscientes de que há que terminar com a retórica insustentável da "imigração zero", que não tem nenhuma comprovação na prática.

 

IMIGPORT – Que espécie de “comprovação na prática” é que ele procurava? Comparações com os EUA? Não esqueçam que as legislações laborais são completamente diferentes...

 

Está a construir-se um consenso sobre os princípios de que é preciso definir uma política coordenada de imigração ao nível europeu. A Comissão propõe que essa política tenha em conta três factores essenciais: colaboração com os países de origem e de trânsito para atacar o problema na raiz, ou seja, as desigualdades económicas e sociais, a situação sanitária e a incapacidade administrativa para lidar com os factores migratórios; ligar de forma estreita a imigração legal ao mercado de trabalho, ou seja, às carências de mão-de-obra existentes na UE e à perspectiva do envelhecimento das populações europeias; definir uma política de imigração que tenha por base uma política de integração bem sucedida.

 

IMIGPORT – BULLSHIT! A Europa, que ainda não conseguiu acabar com as “desigualdades económicas e sociais” dentro das suas fronteiras vai agora conseguir fazer isso nos países de origem dos imigrantes?
“Carencias de mão-de-obra existentes na UE”? Isso não existe! Existem milhões de desempregados! O que existe são patrões a oferecer ordenados tão baixos que os Europeus não aceitam porque isso não lhes permitiria viver com dignidade. Se deixassem o mercado de trabalho funcionar sem imigração, o que acontecia era subirem os ordenados até que a oferta de trabalho equilibrasse a procura. O recurso à imigração é uma perversão que só serve para inundar a Europa de pobreza e manter os ordenados baixos. E quem defende isto? Precisamente os socialistas, os tais que querem acabar com as desigualdades sociais! Santa Hipocrisia!
E quanto à “perspectiva do envelhecimento das populações europeias”? Isto é algo de inevitável sempre que uma população pára de crescer. E a população TEM de parar de crescer porque os recursos da terra são limitados! Isto é tão evidente que só mesmo um socialista e uma jornalista do Público é que não percebem!

 

 É preciso reconhecer que a nossa capacidade de integração tem limites e que o número de pessoas que imigram anualmente para a UE por canais legais deve ser definido em função da capacidade de acolhimento e integração e das necessidades de mão-de-obra.

IMIGPORT – Aqui houve um pequeno “blink” de lucidez ... Acredito que tenha sido um sério esforço para o Sr. Vitorino reconhecer isso!

 


Tem números em mente ?

O meu ponto de partida não é um número, é dizer que temos que tornar a realidade mais transparente.

 

IMIGPORT – Uma realidade mais transparente mas sem números! Boa!

 

 É preciso associar a sociedade civil - empregadores, sindicatos, organizações não-governamentais - à definição da política de imigração.

 

IMIGPORT – Sempre a velha retórica do “diálogo com a sociedade civil”! Pelos vistos ainda vende, pelo menos entre os jornalistas do Público.

 

Há, em todos os países, o discurso de que são precisos técnicos de Informática, mas, na realidade, há que fazer a afinação deste exercício.

 

IMIGPORT – Sabem porque é que este discurso existe? É porque para se ser um bom programador é preciso ter boas capacidades analíticas, ou seja, um alto Q.I., como até o liberal Bill Gates reconhece. Ora as pessoas com estes características são sempre uma minoria em qualquer sociedade e como são um recurso escasso, são caras. Daí que os patrões queiram ter “fornecedores alternativos”. Se as pessoas com as características necessárias a ser bons programadores forem, por exemplo, 1% do total, então mesmo assim, um país como a índia, com os seus incontáveis milhões, possui pessoas com estas características em quantidade suficiente para inundar o mercado de trabalho europeu nesta área e fazer os ordenados virem por aí abaixo. Estão a perceber a ideia?

 

Em Portugal as solicitações de mão-de-obra não satisfeitas pelos desempregados nacionais são na construção, [...]

 

IMIGPORT – Mas existem operários portugueses a trabalhar nas obras na Suíça e na Alemanha! Sabe porquê Sr. Vitorino e Sra jornalista do Público? E não são satisfeitas pelos desempregados nacionais porquê Sr. Vitorino? Diga lá? PORQUE GANHAVAM MENOS A TRABALHAR NA CONSTRUÇÃO DO QUE A RECEBER O SUBSÍDIO DE DESEMPREGO!

[...] em Espanha, na agricultura.

 

IMIGPORT – Uma das consequências da imigração é travar o progresso nas tecnologias de automação. A civilização Ocidental é suficientemente criativa e inteligente para construir um robô capaz de fazer analises a amostras de solo em Marte mas, estranhamente, não é capaz de fazer um robô para apanhar tomates nas estufas espanholas. Alguém consegue explicar porquê?

Outros Estados-membros precisam de enfermeiros, Portugal também, o que já não é o caso da Espanha. Logo, há aqui um desdobramento do número mágico em função das necessidades reais e essas necessidades têm de ser detectadas sectorialmente, às vezes até territorialmente.

 

IMIGPORT – Já agora o Sr. Vitorino podia acrescentar que essas faltas, designadamente de enfermeiros em Portugal, acontecem porque o estado, o Deus de Vitorino, acha que é mais competente a decidir estas coisas do que as pessoas no mercado de trabalho.

 

Por isso, não é possível fazer uma leitura tecnocrática, como um relatório das Nações Unidas que aponta para a necessidade de 200 milhões de imigrantes na Europa nos próximos 25 anos.

IMIGPORT – Tecnocrático? Esse relatório da ONU é simplesmente estúpido. Mas o Sr. Vitorino já elogiou esse relatório no passado, ou pelo menos usou-o para justificar as suas crenças. Pelos vistos parece que até Vitorino consegue evoluir, embora m - u- i- t- o  d- e- v- a- g- a- r- i- n- h- o.


Pensa que os Estados-membros estão preparados para este debate, e que têm a liderança política necessária para o encarar sem demagogia ?

Tenho a consciência perfeita de que a imigração é um tema extremamente favorável a explorações emocionais.

IMIGPORT – E explorações ideológicas?

 

E, num Mundo cheio de incertezas, a reacção natural das pessoas é de desconfiança em relação àquilo que é diferente.

 

IMIGPORT – Pois! Pois! As pessoas, coitadinhas, são estúpidas e imaturas e precisam de ser guiadas pelos grandes sábios intelectuais da esquerda, como o Sr. Vitorino e os jornalistas do Público.

 

Daí resultam muitas das assimilações demagógicas que são feitas entre imigração e criminalidade.

 

IMIGPORT – Assimilações demagógicas?! Existem estatísticas que comprovam isto! QUEM É QUE ESTÁ A SER DEMAGÓGICO, SEU PALERMA?

 

Mas creio que é evidente que os cidadãos europeus têm consciência de que o problema é importante e só pode ser encontrada uma solução a nível europeu.

 

IMIGPORT – Pode estar descansado Sr Vitorino! A Europa não perdeu o seu génio! E dentro de pouco tempo os cripto-comunistas europeus, como você, vão aprender uma grande lição.

 

 Estou convencido de que nas sociedades europeias há o caldo de cultura necessário para assumir este tema a nível europeu.

 

IMIGPORT – Não tenha dúvidas...

 

Mas a liderança política é incontornável, designadamente para ultrapassar os mitos e os fantasmas.

IMIGPORT – Não são os mitos que nos libertam, Sr. Vitorino. Só a VERDADE nos liberta! E você e os jornalistas do Público vão aprender isso, mais tarde ou mais cedo.

 


Amplamente explorados pela extrema-direita...

IMIGPORT – Lá vem o fantasma da extrema-direita! Acabou-se de falar em mitos e fantasmas e cá estão eles outra vez! Estes jornalistas do Público são de uma desonestidade incorrigível. Querem, a todo o custo, associar o imigro-cepticismo com a extrema-direita. Nos EUA, onde este assunto está na ordem do dia há bastante mais tempo, existem personalidades de ESQUERDA, como Roy Beck que são imigro-cépticas bem como LILIs (liberais libertários) que são pro-imigração, como o director do Wall Street Journal.
Mas cá em Portugal querem vender a ideia de que ser pro-imigração é in, é bem, é culto, é progressista, etc e que os imigro-cépticos não só estão errados como também são maus e estão a soldo de tenebrosas e obscuras agendas políticas. E estes jornalistas ainda dizem que seguem um código deontológico! Que informam com isenção! São asquerosos
!

 

Claro, mas o combate à extrema-direita não se faz com "slogans", faz-se com a racionalidade da demonstração da razão que nos assiste.

 

IMIGPORT – Boa! Comecem lá a demonstrar a “racionalidade da demonstração da razão que nos assiste”! A “razão” precisa de ser demonstrada com “racionalidade”? É possível demonstrar irracionalmente a razão? Este Vitorino é um demagogo incorrigível ...

 

 O argumento de que os imigrantes roubam empregos é típico. Por exemplo, em Itália, há taxas de desemprego elevadas no Sul e falta de mão-de-obra na agricultura, mas há também uma elevada oferta de empregos na indústria no Norte para a qual não se deslocam os italianos do Sul.

 

IMIGPORT – Será porque os ordenados que oferecem as industrias do norte não compensam a deslocação? Nos EUA as pessoas deslocam-se com facilidade entre estados à procura das melhores ofertas de emprego. O que é que o Sr. Vitorino quer provar afinal?

 

Isso significa que o binómio imigração-desemprego não pode ser visto à luz das políticas de imigração, mas à luz do Estado social e das condições de subsidiação do desemprego.

 

IMIGPORT – Ora bem! Mas isto é típico de um estatófilo esquerdista. Têm sempre de meter o Estado ao barulho. Pudera, onde que os boys como ele arranjam emprego se não for no Estado?

 

 É preciso combater a ideia feita - falsa - de que a imigração rouba postos de trabalho nas sociedades europeias.

 

IMIGPORT – Isto já está comentado mais acima mas reparem como esta frase foi escolhida pela jornalista do Público.

 

 Outro fantasma é que a imigração é um fardo para o Estado social: na realidade, o que se mostra é que a imigração traz valor económico acrescentado, os imigrantes da primeira geração dão provas de muito maior flexibilidade e adaptabilidade ao mercado de trabalho do que os cidadãos da UE.

 

IMIGPORT – Mas que grande hipócrita! Estes socialistas fazem leis laborais que retiram flexibilidade ao mercado trabalho e depois elogiam os imigrantes, que estão à margem dessas leis, por serem mais flexíveis! Que incrível hipocrisia! E quanto ao "valor económico" que a imigração traz? O trafico de estupefacientes também traz "valor económico". Isso é razão para o tolerar? 

 

Além disso, enquanto não houver regras definidas, eles não podem beneficiar do Estado social de que nós beneficiamos.

 

IMIGPORT – Ora aí está! A sua “flexibilidade” não dependerá disso?

 

E nós queremos dizer, como Tampere aliás decidiu, que os cidadãos de Estados terceiros residentes de longa duração na UE têm de ter direitos e obrigações equivalentes aos dos cidadãos dos "Quinze".

IMIGPORT – Ou seja, um cidadão Europeu que paga impostos há vinte anos passa a ter os mesmos direitos que um Senegalês acabado de chegar. Isto pelos vistos é aquilo que eles chamam “humanismo progressista”!

 


Que efeitos terá a abertura de canais legais de imigração sobre a imigração clandestina?

Não há que ter ilusões de que, com a imigração legal, se acabará com a clandestina. Esta política não dispensa a continuação dos controlos nas fronteiras externas nem da cooperação policial. Mas reforça a nossa legitimidade para conduzir políticas de repressão às redes de imigração clandestina e para tornar mais efectiva a política de repatriamento.

 

IMIGPORT – Controlo nas fronteiras externas? Controlem mas é os patos-bravos! Se os imigrantes souberem que ninguém vai dar emprego a clandestinos, eles não aparecem. Eles não são parvos como os socialistas.

 

 Este exercício só se justifica porque ao definir um conjunto de direitos e obrigações estaremos a impedir a exploração infra-humana dos imigrantes, que é o que desregula os mercados de trabalho, dilapida os salários dos trabalhadores dos Estados-membros e é o que permite abusos de direitos humanos e situações de escravidão inadmissíveis.

IMIGPORT – Bullshit ! Pelo simples facto de aumentarem a oferta de mão-de-obra estão automaticamente a "delapidar os salários dos trabalhadores dos estados membros".

 

 

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