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Júlio Pereira,
director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
"Teríamos mais problemas se não houvesse imigração"
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O novo director do SEF em pose de "pensador progressista" |
Quinta-feira,
24 de Maio de 2001
Por Ricardo Dias Felner (PÚBLICO) e Carla B. Ribeiro
Imigport - Pelas mãos do pasquim Público, órgão oficial dos imigracionistas portugueses, temos o prazer de apresentar uma versão comentada de uma entrevista em fica evidente o calibre intelectual do novo director do SEF.
A "poucas semanas" de terminar o processo extraordinário de legalização é já possível fazer um balanço. Na sua primeira grande entrevista, Júlio Pereira, o novo director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, assume que o Governo desconhecia a existência de tantos imigrantes ilegais no país e que não estava preparado para o volume de pedidos de autorização de permanência - mais de 65 mil.
Imigport - Começa por assumir que o SEF têm sido um serviço incompetente. Mais vale dizer a verdade ou seja, que os números que o seu antecessor usava nos discursos para nos tranquilizar não tinham qualquer rigor.
Numa conversa que decorreu na companhia do livro de poesia "Rosa do Mundo", colocado sobre a mesa do seu gabinete, o homem que quer mudar a imagem do SEF disse que o fim da regularização em curso implica o fim da imigração espontânea.
Imigport - Um livro de poesia na mesa do seu gabinete? Mas este homem trabalha ou lê poesia? Ou era só para impressionar os ingénuos jornalistas do Público?
Na nova fase que se aproxima, só entrarão estrangeiros a pedido das empresas nacionais - é o ciclo da "importação", nas palavras do entrevistado.
Imigport - Ai sim? Querem que nós acreditemos nisso? No passado não conseguiram evitar que os patos-bravos sem escrúpulos recorressem à mão-de-obra ilegal e agora, de repente, vão passar a conseguir fazer isso de um momento para o outro! Boa!
Relativamente ao futuro, Júlio Pereira lança um alerta: se não se investir já na "integração" dos imigrantes do Leste, "as gerações que aí vêm poderão trazer problemas sociais graves".
Imigport - Mas porquê tanta preocupação com a integração dos imigrantes de leste? Com a qualidade da sua educação e os seus baixos salários eles oferecem uma combinação imbatível. Vejam só as empresas que alemães e americanos estão a instalar nos países de leste. Dentro de alguns anos serão os nossos filhos e netos a imigrar para os países de leste para fugir ao caos do Brasil da Europa.
Porque se esforçam tanto por transmitir a imagem que os imigrantes de leste vão dar os mesmos problemas que os imigrantes africanos? Os imigrantes africanos são uma fonte de problemas em todos os locais onde se encontram ao contrario dos de leste. A imigração da Europa de leste já se faz há muitos anos para a Alemanha e a América. Alguém já ouviu falar de gangs de filhos de imigrantes de leste? Mas estes imigracionistas da esquerda não se cansam de tentar convencer o pacóvio de que é tudo a mesma coisa.
A propósito, porque não foram mencionados os problemas sociais, bem reais, das novas gerações de imigrantes africanos?
Considera que esta legalização extraordinária
está a ser um êxito?
Depende da forma como encaremos a questão. Tendo em conta o número de pessoas que foram legalizadas até este momento, mais de 65 mil, e tendo em conta o esforço de mobilização que tivemos de fazer para que isto fosse possível, certamente que é um êxito.
Dá ideia que o Governo e o SEF não estavam à espera desta avalanche de pedidos. O seu antecessor estimava, no início do processo, em 30 mil o número de ilegais no país. Neste momento, cinco meses após o início do processo, estamos com mais de 65 mil. A que se deveu esse erro de cálculo?
Esse cálculo não tinha que ser exacto, visto que não havia um controlo do número de pessoas que se encontravam ilegalmente em Portugal.
Imigport - O que se chama a um cálculo que não tinha de ser exacto? Uma estimativa? Uma argolada? Repare-se no à vontade com que o responsável pelo organismo que controla as fronteiras nacionais diz que não havia um controlo do número de pessoas que se encontravam ilegalmente em Portugal. Viva a bandalheira!
Há sinais que poderiam conduzir a um número mais ou menos aproximado. As mais de 65 mil autorizações de permanência actuais também não sei se reflectem a realidade que se vive em Portugal. Destes 65 mil haverá alguns que vivem noutros países do espaço Schengen; haverá outros que entretanto vieram a correr para Portugal para obter esta possibilidade de se fixarem aqui. Penso que só poderemos ter uma ideia mais ou menos rigorosa quando se verificar a altura das renovações.
Imigport - Uns não vivem cá mas vieram legalizar-se. Outros vieram a correr para aproveitar a benesse. E tudo foi possível! E é o director do SEF que admite isso!
Este processo teve início há cerca de cinco meses. Actualmente as pessoas continuam a
dirigir-se aos sítios errados e queixam-se de falta de informação por parte do SEF?
Reconhece que tem havido falta de informação?
Penso que não será tanto falta de informação. Haverá talvez alguma dificuldade de
acesso à informação.
Imigport - Boa! Não será tanto pobreza mas dificuldade no acesso ao dinheiro. Está a ver? Tudo depende da maneira como se diz as coisas. Estes socialistas são uns demagogos incorrigíveis!
Nós temos que ver que mesmo os cidadãos portugueses (que conhecem a língua portuguesa), às vezes, têm algumas dificuldades no funcionamento com os serviços públicos, porque não compreendem bem aquilo que é necessário e onde se devem dirigir, numa determinada situação.
Imigport - Boa! Um óptimo exemplo de generalização grosseira, uma das armas preferidas dos intelectuais desonestos. Consiste em pegar em algo que é verdade, apenas numa situação particular, e usa-la como se também fosse verdade numa situação mais geral.
Isso passa-se com maior intensidade em relação a uma comunidade estrangeira, grande parte da qual não conhece a língua portuguesa. Portanto é natural que haja por vezes dificuldades desse tipo. A informação tem sido dada através dos postos de atendimento. Da nossa parte é difícil ir além disso.
Não se justificava uma campanha de esclarecimento forte, por exemplo, na televisão?
Imigport - Ou em outdoors nas suas línguas nativas? Afinal não
é o PS que gosta tanto de diversidade cultural?
Eu volto a pôr a questão: será que, tendo em conta a comunidade a quem se dirige este processo, o meio de acesso mais fácil é a televisão, a rádio, os jornais?
Imigport - E os outdoors? E cartazes nos autocarros? No metro?
Ou será através dos locais onde em regra as pessoas se dirigem, que são os postos de atendimento? Pensamos que é aí que há mais facilidade de contacto com eles. Porque normalmente grande parte das pessoas, designadamente da Europa de Leste, pouco sabem da língua portuguesa, não vêem televisão, não ouvem rádio, não lêem jornais portugueses.
Imigport - Mas andam de autocarro e metro!
Haverá um ou outro que tem esses conhecimentos, mas não são assim tantos. Parece-me que é exactamente junto nos postos que interessa veicular a informação.
Muitas das pessoas que procuram os serviços de legalização do SEF passam horas à espera para serem atendidas. Há casos de pessoas que passaram mais de dois dias na rua. Acha que este sofrimento poderia ter sido evitado?
Eu penso que essa situação estará basicamente ultrapassada.
Hoje, por exemplo, nas Picoas [em Lisboa] estava mais de uma centena de pessoas à espera para serem atendidas.
Devo dizer que a situação que era usual verificar-se - de se chegar a meio da tarde, fechar-se a porta, e as pessoas que estavam na fila ficarem para o dia seguinte - acabou. Hoje as pessoas são atendidas no mesmo dia.
Imigport - Repare que ele não responde à pergunta e os jornalistas deixam passar isso...
Quando é que esses problemas acabaram precisamente?
Acabaram com a abertura do posto da Expo. Logo no primeiro dia, esse posto teve uma
afluência bastante grande. As pessoas foram todas atendidas. Penso que se for agora a
São Sebastião provavelmente já não encontra lá ninguém.
Imigport - Bastou abrir mais um posto e o sofrimento acabou ?! Incrível!
Existem muitas queixas relativas à forma como os imigrantes são tratados nesses serviços. Os funcionários do SEF, nos postos de atendimento, têm alguma formação específica?
Lamento que isso se verifique e posso disser que os actos dessa natureza, de que eu tenha conhecimento, terão o tratamento de ordem disciplinar adequado. Admito que haja alguns momentos de tensão e alguma pressão por parte das pessoas que querem entrar. É necessário que haja alguém para barrar a entrada porque às vezes a sala está cheia. E, de facto, nessas alturas as pessoas estão melhor na rua do que lá dentro. Quanto à formação, é a formação específica do SEF e do funcionalismo público.
Imigport - Repare como eles partem imediatamente do principio que os imigrantes são muito educadinhos e correctos e que portanto a culpa só pode ser dos funcionários do SEF.
Um pormenor engraçado:
Pergunta: têm alguma formação
específica?
Resposta: é a formação específica do SEF e do funcionalismo público
Ou seja, não têm nenhuma!
Uma das críticas recorrentes das associações de imigrantes é que estas autorizações de permanência não são mais que uma licença de trabalho provisória, dependentes da vontade dos patrões. O que acha?
Imigport - Mas do que é que os imigrantes estão à espera quando vêm para cá? Um trabalho garantido por toda a vida e o traseiro lavado com água de rosas? Nós não temos isso! Se não gostam têm sempre a opção de voltar ao seu país de origem...
Antes de mais, a autorização de permanência é um título que permite a estadia em Portugal de forma legal. Uma situação que não ocorria anteriormente. Portanto, visto desse prisma, é muito mais do que aquilo que referem as associações de imigrantes. Se me disser que as pessoas ficam expostas à vontade dos patrões, isso não é rigorosamente assim porque as pessoas quando têm uma relação laboral com um trabalhador são obrigadas a fazer o contrato desse trabalhador.
Imigport - O quê?!
E se houver uma acção inspectiva em que isso não se verifique, a entidade patronal é sancionada e obrigada a fazer o contrato. Obviamente que uma autorização de permanência não equivale a uma de residência, mas as pessoas que são titulares de uma autorização de permanência poderão obter uma de residência ao fim de cinco anos, sem necessidade de visto de residência.
Imigport - Essas acções inspectivas devem ocorrer com muita frequência... Segundo os sindicatos da construção civil, 70% da mão-de-obra que lá trabalha é clandestina. Como é que isso seria possível se essas acções inspectivas fossem eficientes? E porque é que os entrevistadores do Público não perguntaram logo isto?
É possível fazer uma estimativa de quantos
ilegais ainda existem?
Tendo em conta o número de processos visados na Inspecção-Geral do Trabalho, talvez
mais uns 20 mil. De todo o modo a afluência aos postos de atendimento do SEF tem vindo a
diminuir.
Imigport - É sempre possível fazer uma estimativa. Por definição ela não precisa de ser um número exacto. Mas é curioso como o director do SEF consegue fazer uma estimativa do numero de ilegais existentes a partir do numero de contratos visados na IGT.
Tem ideia da proporção dessa diminuição da
afluência?
Nos momentos em que havia mais afluência aos postos de atendimento, o número de pessoas
andava perto das mil por dia. Sexta-feira, por exemplo, não chegou às 500.
Até que número de legalizações é que o Governo
poderá avançar?
Não sei. Quando for feita a publicação do despacho do Governo onde são previstas as
necessidades de emprego, este processo acaba.
Imigport - É o governo que vai dizer quantos imigrantes precisamos? Vai sair uma trabalho bem feito! Já estou a imaginar os telefonemas dos patrões dos grandes grupos de construção civil e obras publicas: Ó sr. Ministro, não se esqueça que nós costumamos dar umas contribuições interessantes para as vossas campanhas eleitorais!
Como é que um governo que não sabia quantos imigrantes este país tinha, agora de repente vai saber quantos é que o país precisa? E como é que vai justificar o pagamento de rendimentos mínimos garantidos?
Esse será um instrumento fulcral para a definição da nova política de imigração. E depois inicia-se um novo processo: a importação de mão-de-obra de acordo com as necessidades de trabalho que não possam ser satisfeitas nem pelos trabalhadores nacionais, nem pelos trabalhadores comunitários, nem pelos trabalhadores estrangeiros residentes.
Imigport - Isto é um disparate!
Não existe NENHUM trabalho que não possa ser feito pelos trabalhadores nacionais. O que existe são trabalhos TÃO MAL PAGOS que os trabalhadores nacionais não querem fazer. E claro que haverá sempre empresários dispostos a pagar TÃO POUCO que nem os imigrantes de leste aceitarão esses trabalhos. E lá voltamos nós à imigração de africanos, que é o que a esquerda quer, porque são esses que vão provocar mais problemas sociais e a esquerda vive da exploração de ressentimentos.
Será a política que irá vigorar para o futuro, que aliás é a política que se está a seguir nos outros países da União.
O que dirá ao certo esse relatório?
Não sei os termos exactos em que o relatório irá ser publicado, se indicará
especificamente números ou se apontará para uma espécie de barómetro das necessidades
de emprego que irá tentar regular esse mercado.
Quando é que isso vai acontecer?
Não lhe posso dizer. Mas penso que não demorará muito tempo. Talvez algumas semanas.
Penso que não se poderá sequer falar em meses.
Se o relatório apontar para a necessidade de mais
mão-de-obra, poderá haver uma nova legalização extraordinária?
Não. As novas regras dizem o seguinte: se houver uma empresa que precise de
trabalhadores, pode recorrer ao mecanismo da importação de mão-de-obra temporária.
Vamos ter acordos com vários países europeus e com os PALOP. O que se pretende é que
esse processo seja rápido.
PALOP?!! Mas porquê PALOP? Sempre os PALOP! Porque não o Brasil, que sempre é um pouco melhor?
O SEF irá aumentar o controlo das entradas?
Naturalmente. Aliás uma política de imigração sem o controlo de entradas e
permanência de imigrantes ilegais não teria qualquer sentido.
Imigport - Hummm... Allô ? Está alguém em casa?
Mas neste momento não é muito eficaz...
Imigport - Quem diria?
Uma situação destas não é fácil de evitar. Nem em Portugal, nem em parte nenhuma. Veja o número de imigrantes ilegais que existem nos outros países da União Europeia.
Imigport - Sempre as generalizações grosseiras. Em primeiro lugar o que interessa, para efeitos de comparação, não são os números absolutos mas sim a proporção em relação à população. Depois existem países Europeus praticamente sem imigrantes como por exemplo a Finlandia ou a Islandia. E sabem porquê? Muito simples: Nestes países as leis funcionam e um patrão que seja apanhado a dar emprego a um imigrante ilegal está fo__do. Como os imigrantes sabem que ninguém lhes dá emprego não imigram para lá. Simples não é?
O que acontecerá aos clandestinos?
Em princípio, a solução é o repatriamento.
Imigport - Sensato...muito sensato
O que aconteceu aos centros de instalação
temporária?
Estamos a tentar desencadear a regulamentação do decreto 24/94 no sentido de avançar
com os centros. Em Vilar Formoso já existem instalações. Para além desse, pensa-se num
em Lisboa e outro no Norte, na zona do Porto.
Quando é que entrarão em funcionamento?
Seria prematuro indicar uma data precisa. Penso que para o ano já poderemos falar
disso em termos concretos.
Imigport - Engraçado! Ele consegue dar estimativas do numero de clandestinos que ainda permanecem mas não consegue dar uma data para a entrada em funcionamento destes centros! Ninguém ensina este homem a trabalhar com o MS Project ?
Qual será a sua utilidade?
Serão muito importantes porque a prisão preventiva não é a solução adequada para
pessoas que aguardam o repatriamento. Julgo que não poderá haver um regime tão liberal
como as meras apresentações, nem um regime tão rigoroso como a prisão preventiva.
Penso que uma solução intermédia - que dê algum espaço de liberdade, mas que permita
controlá-la - será o ideal.
O SEF tem a situação das máfias de Leste
controlada?
O tráfico de imigrantes tem sofrido alguns golpes importantes. E à medida que se vai
conhecendo o fenómeno e os protagonistas dessa actividade, naturalmente que esses golpes
tenderão a ser mais profundos. No entanto, reconheço que há um longo trabalho de
investigação pela frente para se conseguir erradicar algumas das redes mais importantes
que operam no nosso país. Trata-se de um negócio altamente lucrativo.
Imigport - Reparem como os jornalistas do Público não encontram razões de preocupação com as respeitáveis organizações que cá colocam os imigrantes africanos...
Segundo a Polícia Judiciária este tipo de crime, com estes contornos, não tem paralelo nos outros países da União.
Está implantado em qualquer país da União. Isso é uma afirmação que não sei em que é que se fundamenta. Grande parte da imigração procura o Reino Unido, procura a Alemanha, e essa imigração ilegal faz-se através de redes. Eu pergunto como é que em Portugal se encontram mais implantadas do que nos outros países? Por essa lógica Portugal teria muito mais imigrantes que os outros países.
Imigport - O problema é que lógica deste senhor é uma lógica de batata.
1- Redes não são máfias. Nem todas as redes usam métodos violentos de extorsão e portanto não se podem meter todos no mesmo saco.
2- Existem mais imigrantes a procurar o Reino Unido e a Alemanha porque estes países oferecem, apesar de tudo, salários melhores e não necessariamente porque as máfias estejam lá mais bem implantadas.
3- Em Portugal os patos-bravos podem recrutar trabalho ilegal com total impunidade, que é algo que não acontece no Reino Unido ou na Alemanha. Isso oferece um terreno fértil para as máfias
4- Portugal nunca poderá ter mais imigrantes do que esses outros países porque tem menos oportunidades de trabalho para oferecer.
5- As máfias não são necessariamente mais eficientes a colocar imigrantes do que as redes.
Por tudo isto, a resposta do director do SEF não refuta nada e a afirmação da Policia Judiciária está provavelmente correcta.
É verdade que muitos dos imigrantes de Leste são
pessoas bem formadas?
Haverá situações de pessoas com habilitações. Mas o que acontece é que os órgãos
de comunicação social, por razões óbvias, atendem mais a esses casos, que chamam muito
a atenção. Isso não é de facto a regra, mas a excepção.
Imigport - Depende sempre do que entendemos por
habilitações.
Se definimos habilitações por formação universitária então o
Sr. Pereira estará provavelmente certo mas se a definirmos por formação escolar
igual ou melhor que a generalidade da população portuguesa então ele está
certamente errado.
Note-se a intenção subjacente: Colocar os imigrantes da Europa de leste ao mesmo nível dos africanos.
Eles estão-se a integrar facilmente?
Julgo que poderão vir a ter problemas importantes de integração social. São
pessoas com uma mentalidade e uma cultura diferentes, com línguas diferentes.
Imigport - Engraçado como ninguém reparou nisso a propósito dos imigrantes dos PALOP. Nunca mencionam que o português é a língua OFICIAL desses países mas isso não implica que seja a mais falada. Com a excepção de Angola, o português é uma língua minoritária nos PALOP. Adicionalmente é muito discutível se o crioulo está mais próximo do português do que o Romeno. Em relação ás mentalidades será que acreditam que as mentalidades e a cultura dos europeus de leste são mais diferentes da nossa do que as dos PALOPs? Então e a diversidade? Não são os imigracionistas que estão sempre a defender as vantagens da diversidade? Quer dizer que a diversidade é boa se vier da África ou do Bangladesh mas já é má se vier da Europa de leste?
É tão nitido como este director do SEF e os jornalistas do Público são tendenciosos a favor dos imigrantes africanos! Eles mentem com quantos dentes têm e nem se apercebem disso!
E isso exige claramente uma acção por parte do Estado português no sentido de as procurar integrar. Se não se investir nessa integração agora, as gerações que aí vêm poderão trazer problemas sociais graves. Foi lançado há dias um programa no âmbito da Comissão Interministerial para os Problemas da Imigração para a reintegração dessas pessoas, que visa o conhecimento dos direitos, da língua, etc.
Imigport - Programas, comissões... mais pretextos para empregar boys. Já conhecemos a história toda...
Por que vias entram mais ilegais?
Por terra. Alguma imigração ilegal faz-se por via aérea: a mais ingénua, digamos
assim, que arrisca uma viagem de turismo e depois acaba por ficar. Mas penso que a maior
parte das pessoas que vêm para Portugal chegam por terra. Muitas têm até vistos para
outros países do espaço Schengen.
Concorda que o SEF parece hoje em dia uma
organização repressiva, sobretudo aos olhos dos imigrantes?
Imigport - Estes jornalistas... Pelos vistos o SEF deveria ter uma imagem tipo Exercito de Salvação...
Bom, o SEF tem andado a fazer operações de fiscalização, promovendo a
legalização de imigrantes. Tem inclusivamente andado uma carrinha da Segurança Social,
com elementos do SEF e da Inspecção-Geral do Trabalho (IGT), à procura de trabalhadores
para se legalizarem.
Imigport - Isto devia dar um filme engraçado! Uma carrinha à procura de imigrantes para se legalizarem! Deve dar tanto resultado como uma carrinha à procura de loucos para tomarem a medicação.
Se conhecerem algum país onde o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras anda à procura de imigrantes para os legalizar digam, que eu não conheço. Se isto é repressão...
Mas qual é o problema de ser repressão? Toda a gente quer ser boazinha a todo custo?! E porque é que estes mesmos esquerdelhos já não se importam que haja repressão sobre aquilo que eles chamam a "extrema direita"?
Há poucas semanas atrás foi feito um polémico
cerco ao Rossio, em que os agentes foram acusados de terem pedido apenas a identificação
a pessoas de origem africana e asiática. Não houve aqui alguma discriminação?
Imigport - O Público não pratica discriminação? O Público dá emprego a jornalistas que tenham uma posição de cepticismo em relação à imigração?
Não houve discriminação nenhuma. Foi-se a um determinado local onde se sabia que se
negociavam contratos de trabalho e documentos e pediu-se a identificação das pessoas que
lá se encontravam. E isso conduziu a várias detenções. Por outro lado ajudámos a
resolver a situação de algumas pessoas que efectivamente estavam ilegais. Evidentemente
que nós não podemos, por um lado, querer travar as redes de tráfico de pessoas e, por
outro lado, permitir que as coisas aconteçam impunemente. Não temos ilusões e sabemos
que não é com acções destas que directamente vamos apanhar os cabecilhas, mas
desestabilizamos a actividade que está em curso nesses locais e obtemos alguns elementos
de pesquisa que serão importantes em investigações futuras.
A falsificação de contratos de trabalho é uma
preocupação central?
Com certeza. Se reparar que a IGT já visou oitenta e tal mil contratos e que está a
haver uma diminuição de procura dos postos de atendimento do SEF isso pode significar
inclusivamente que esteja já a haver alguma dificuldade em vendê-los.
Considera que a imigração é um dos principais
problemas dos países ocidentais, e da Europa, mais especificamente?
Eu penso que a sociedade ocidental teria mais problemas se não houvesse imigração.
Imigport - O Japão, a Finlandia e a Islandia praticamente não têm imigração. Têm mais problemas do que nós? Em quê?
Eu pergunto como é que a França teria feito as obras que fez se não fosse a imigração portuguesa, espanhola e italiana.
Imigport - E como é que a Finlandia e o Japão fizeram muito mais sem imigrantes? E como é que a Itália e a Espanha construíram as suas próprias auto-estradas? Estes países também só recentemente se tornaram países de imigrantes.
Como é que nós faríamos grande parte das obras que temos tido se não fosse a mão-de-obra imigrante?
Imigport - Isto é um absurdo! Recorrer a mão-de-obra de baixo custo é sempre uma falsa economia. Esses imigrantes pelo facto de ganharem pouco não conseguem viver e educar os seus filhos condignamente. Lá vai o estado ter de os ajudar. Mas onde é que o estado arranja dinheiro? Através dos impostos que cobra às empresas e aos particulares que ficam com menos dinheiro para investir e gastar. Isso por sua vez vai diminuir o numero de transacções na economia o que lhe vai limitar o crescimento. Ou seja voltamos ao ponto de partida e todos ficamos mais pobres.
NÃO EXISTEM ALMOÇOS GRÁTIS, SEUS ESTÚPIDOS!
A imigração é um problema, designadamente nas segundas gerações, mas só se não soubermos dar ao imigrante aquilo a que ele tem direito, que são condições mínimas de integração na sociedade onde ele está inserido.
Imigport - Aquilo a que ele tem direito? Então e o trabalhador português não tem o direito que lhe paguem melhor? Ó Sr. Julio Pereira, se lhe pagassem 10000 contos por mês você não ia trabalhar para as obras? A chave não é a dureza do trabalho mas sim o que estão dispostos a pagar por ele. Se continuarem a deixar entrar imigrantes o resultado é que tanto os imigrantes como os portugueses de mais fraca formação vão ganhar cada vez menos e é isso que vai provocar os problemas sociais.
Isso poderá ser um problema a médio, longo prazo. Agora, é um problema para o qual temos que estar alertados, até porque outros o tiveram antes de nós. Aprender com os erros dos outros é importante da nossa parte.
Imigport - Foi pena não o terem feito. A Finlandia aprendeu com os erros da França e da Alemanha e escolheu uma política de desenvolvimento sem imigração. Veja onde eles estão e onde nós estamos.
No entanto, há sinais, nomeadamente no Reino Unido, Itália e Áustria de que as tensões raciais poderão aumentar.
Sim, mas devemos compreender que esses países têm sido extremamente fustigados pela imigração ilegal. É natural que aí haja vozes contra a imigração.
Imigport - Cá pelos vistos não ...
E isso não poderá suceder em Portugal?
Para já não, mas poderá vir a acontecer em situações de crise, de
conflitualidade, (como ocorreram noutros países), nomeadamente se esta onda se mantiver e
terminar a capacidade de absorção de mão-de-obra. Isso naturalmente gera sentimentos
indesejáveis na sociedade. Por isso é que uma política de imigração coerente deve ter
em conta as necessidades de trabalho.
Imigport - Uma política coerente deveria ter permitido que a lei da oferta e da procura regulasse o mercado de trabalho. Hoje os nossos operários da construção ganhavam ordenados razoáveis. As empresas tinham sido obrigadas a organizar-se de forma mais eficiente e nós todos podíamos andar nos comboios da linha de Sintra, à noite, sem qualquer receio. É claro que haveriam muitos sociólogos, antropólogos, assistentes sociais e boys no desemprego...
Agora, as pessoas também têm que estar sensibilizadas, educadas para o problema.
Imigport - Ou seja, têm de ser endoutrinadas para aceitar passivamente a imivasão!
As mais recentes descobertas da genética afirmam que as raças não têm sentido nenhum: existe é cores de pele diferentes.
Imigport - Outro palerma com areia nos olhos. Se a diferença está só na cor da pele porque que é os cientistas conseguem distinguir um esqueleto do um negro do de um branco, com uma taxa de sucesso de mais de 95%, para esqueletos sem crânio? (Com crânio, a taxa de sucesso é 100%)
E quanto às ultimas descobertas da genética, veja esta: (Se não sabe inglês veja o resumo final em português)
Memory performance and the
apolipoprotein E polymorphism in a community sample of middle-aged adults.
BY Flory JD, Manuck SB, Ferrell RE, Ryan CM, Muldoon MF.
( Behavioral Physiology Laboratory, Department of Psychology, University of Pittsburgh,
Pittsburgh, Pennsylvania 15620, USA. jdf3@pitt.edu)
Summary:
The apolipoprotein E genotype (APOE) is an established risk factor for Alzheimer disease,
with the age-at-onset occurring earlier in individuals having at least one APOE epsilon 4
allele, relative to the APOE epsilon 3 or APOE epsilon 2 isoforms. Moreover, nondemented
older adults with the APOE epsilon 4 allele also show diminished cognitive performance,
particularly on tests of learning and memory, and an accelerated decline in memory
performance with increasing age. The current investigation extends the study of the APOE
epsilon 4 allele and cognitive performance to healthy, middle-aged adults.
A community sample of 220 non-Hispanic Caucasian men and women, aged 24-60 (average age =
46), were genotyped for the APOE polymorphism and completed a battery of
neuropsychological tests. Multivariate analyses were conducted on measures of verbal
learning and memory (e. g., learning a list of words and recalling them 30 min later),
visual memory (e.g., reproducing a previously copied figure from memory), and attention
span (e.g., repeating long lists of digits), after adjustments for age, and estimated IQ.
Results indicated that performance on learning and memory tasks was significantly poorer
in adults having any APOE epsilon 4 allele, relative to adults with APOE epsilon 2 and
epsilon 3 genotypes (P <.01). Attention span did not differ by genotype. These
findings, the first in a sample of middle-aged adults, suggest that the APOE polymorphism
is a marker for age-related decline in memory (detectable prior to overt, clinical
manifestations of memory loss), and/or a marker for individual differences in memory
ability across the life span.
Reference:
Am. J. Med. Genet. (Neuropsychiatr. Genet.) 96:707-711, 2000. Copyright 2000
Wiley-Liss, Inc.
COMMENT from Human Biodiversity Group
....The frequency of e4 is low in East Asia, medium ( and variable) in Europe, high In
Africa and New Guinea and some other places. Gene frequency of e4 is about 6.7% in
Japan, ~8 % in China, 7-11% in India. 8%-17% in continental Europe ( with a
surprising high of 22% in Finland), with a low around the Mediterranean and a high
around the Baltic. 40% among Pygmis, 39% among the Bushmen, 29% in the
Sudan, 33,3% in the country formerly known as Zaire, 27% in blacks in
Trinidad, 26% in Australian aborigines, 37% in New Guinea. 7-10% in Israel (
except among the Ethiopian Jews), 10% in Hungarians, 17% in Hungarian Gypsies.
Ou seja, as pessoas com o allele epsilon 4 do gene APOE tem performance inferior em testes cognitivos, particularmente de capacidade de aprendizagem e memória. A frequência desse allele nas várias populações da terra não é igual mas varia de tal forma que é mais baixa entre os povos Europeus e Asiáticos e mais alta entre os povos africanos.
Ou seja, 2+2= ?
Não seja parvo senhor Júlio Pereira!
Qual é a tendência europeia em política de
imigração?
Nos anos 70 era de imigração zero. Não existia, simplesmente. Nessa altura, a
Europa entendia que se devia acabar com a imigração. Neste momento, a tendência é
diferente. Defende-se uma Europa aberta, mas de acordo com determinadas regras,
privilegiando a política da integração temporária de mão-de-obra, que depois poderá
ou não, consoante a legislação de cada país, conduzir a uma autorização de
residência - o que em regra acontece. A política da União Europeia é no sentido da
abertura. Abrir as portas sim, mas com regras, procurando castigar severamente os
envolvidos no tráfico de pessoas e na angariação de mão-de-obra.
Imigport - Ou seja, os patrões conseguiram convencer os crypto-marxistas europeus de que a importação de pobreza também é do seu interesse, o que, nem deve ter sido dificil...
Já está à vontade como director do SEF?
Eu nunca me sentirei à vontade. Só me sentiria à vontade se o SEF funcionasse na
perfeição. E se funcionasse na perfeição não haveria motivos para cá estar.
Imigport - Ora bem! Está resolvido o mistério! Se um organismo que funciona a 100% não precisa de director então isso significa menos um lugar para um boy da partidocracia. Assim é de todo o interesse que funcionem mal para haver cargos de director com fartura!
O que é que é preciso aperfeiçoar?
Muitas vertentes: uma delas é a investigação e a fiscalização. Tem que se dar um
forte alento a essas actividades. Mas também na prestação de serviços à comunidade
imigrante. Penso que é necessário aproximar o SEF das pessoas. Por isso é que temos em
projecto protocolos de cooperação com as associações de imigrantes e estamos a pensar
na viabilidade de estender esse protocolo às autarquias para que as pessoas possam tratar
dos seus problemas aí. Estamos a falar de juntas de freguesia, câmaras municipais. Ou
seja, é preciso diversificar os espaços de atendimento.
E essa diversificação está prevista para quando?
É uma medida para breve. Pensamos que depois do Verão será possível avançar com isto.
Nós temos de nos preparar para uma avalanche burocrática enorme. Se pensar que, das
sessenta e tal mil pessoas que se legalizaram a partir de Fevereiro, a maioria vai querer
renovar o seu título, isso representa, mesmo que sejam só 50 mil, muitas renovações
todos os anos. Somando esta avalanche de serviço aos problemas que já temos do passado,
de 220 mil residentes estrangeiros em Portugal, quase que duplica o trabalho. Isto exige
um grande esforço de mobilização dos recursos que temos e também um grande esforço de
descentralização dos nossos locais de atendimento. Porque senão, as filas que existiam
antes terão tendência para aumentar.
Pensa que é necessário aumentar os recursos do
SEF?
Sim. Nós precisávamos de um aumento de recursos, que exigiria um aumento de
instalações e não é muito realista pensar nisso pelo menos a curto prazo. Portanto
temos que ser engenhosos e encontrar as soluções. Soluções que não ponham em risco o
rigor com que estas coisas têm de ser processadas. A documentação para uma
autorização de residência pode ser enviada por correio. E se pode ser enviada por
correio porque é que não pode ser entregue numa associação? Porque é que não pode
ser entregue numa junta de freguesia para depois ser recolhida por elementos do
serviços?
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