pt-1485tiny.gif (1311 bytes)

Imigração em Portugal  - Problemas e consequências

IMIGPORT 3

EUROPA ADVERTE PORTUGAL SOBRE IMIGRAÇÃO E RACISMO

O COMENTÁRIO DE PAULO TOMÁS GASTÃO AO ARTIGO COM O MESMO TÍTULO DE CATARINA CARVALHO

1) Não pode deixar de causar estranheza e perturbação a todos os europeus, a cada vez mais evidente deriva totalitária que o Conselho da Europa vem sofrendo, sendo chocante que uma instituição que nasceu com o fito de defender e salvaguardar os direitos e liberdades fundamentais no nosso continente, surja agora, em cumprimento dos ditames da esquerda politicamente correcta que a domina, a agir no sentido de liquidar esses mesmos direitos e liberdades fundamentais, mostrando-se fortemente empenhada na construção de uma sociedade orwelliana regida pelo lema "Liberdade é Escravidão".

Obviamente que o nosso comentário tem em mente a investida que o Conselho da Europa lançou contra a liberdade de expressão sob o pretexto do combate ao racismo e à xenofobia, apelando aos seus Estados membros que reforcem as leis já vigentes punitivas de comportamentos ditos racistas ou xenófobos, leis essas que, contudo, jamais definem o que seja racismo e xenofobia, possibilitando assim a introdução, nos diversos ordenamentos jurídicos europeus, de conceitos caracterizados por um alto grau de vacuidade, ambiguidade e incerteza, cuja interpretação, definição e clarificação mais ou menos discricionária fica entregue ao corpo de magistrados judiciais, gerando-se um gravíssimo factor de insegurança na vida cívica das diferentes sociedades europeias, levando os cidadãos a adoptar comportamentos de auto-censura, evitando abordar e comentar em público certas questões sensíveis, como modo de se salvaguardarem de possíveis problemas de foro criminal.

É claro que o objectivo final destas legislações é simples: por um lado, banir toda e qualquer discussão séria, racional e equilibrada do fenómeno da imigração terceiro-mundista que toda a Europa actualmente sofre e sente, pelo menos se tal discussão se fizer num sentido que divirja da estrita ortodoxia esquerdista sobre o mesmo e, sobretudo, se ousar propor medidas concretas e efectivas para a resolução deste problema; por outro, impedir a discussão dos muitos aspectos negativos da sociedade multicultural gerada por essa onda imigratória e as suas consequências funestas a curto, médio e longo prazo.

Desta maneira, a esquerda consegue a imposição forçada dos seus pontos de vistas e, simultaneamente, liquida qualquer veleidade de oposição às suas políticas, ditando assim, sobre um assunto fulcral para o futuro das nossas sociedades como o é o da imigração, uma visão única, de uma só dimensão e perspectiva, conseguindo gerar as condições de facto e de direito que permitam a sua perpetuação no poder, por impossibilidade de oposição concreta.

Mas as sociedades deste tipo ainda poderão ser consideradas genuinamente democráticas?

Claro que não! Uma sociedade onde não se podem discutir livremente assuntos essenciais ao porvir dos seus cidadãos, não é mais uma democracia, mas um arremedo de totalitarismo à imagem das antigas "democracias populares" do Leste Europeu; igualmente, a existência de liberdade de expressão tão-só para as ideias que não colidam com as concepções esquerdistas, não passa de uma grotesca caricatura de mau gosto daquilo que é a verdadeira liberdade de expressão; enfim, é toda uma tradição da liberdade, de que a Europa sempre foi portadora, que é posta em causa por este tipo de medidas.

Cremos firmemente que todos os grandes europeus, de Péricles e Cícero até Winston Churchill, desdenhariam em absoluto ter de viver numa sociedade amordaçada pelas regras do politicamente correcto esquerdista. Países como a França ou a Alemanha só muito dificilmente é que ainda poderão ser classificados como democracias genuínas. Na Alemanha, presentemente, há um número pessoas encarceradas por delitos de opinião superior àquele que alguma vez existiu na defunta R.D.A…. Felizmente, do outro lado do Atlântico, nos E.U.A., essa tradição de liberdade mantém-se inabalável, para nossa alegria interior e fúria da maralha esquerdista.

Por tudo isto, achamos no mínimo sinistra a ideia do Conselho da Europa de que a legislação portuguesa de combate ao racismo e à xenofobia é pouco prática. Porquê? Por, apesar de toda a nefasta legislação liberticida produzida durante o consulado guterrista, ela ainda permitir aos cidadãos nacionais um mínimo de espaço de manobra para discutirem assuntos fulcrais para o futuro das suas vidas e das dos seus descendentes, sem terem de ser de imediato incomodados pelas autoridades policiais e judiciais, como é  típico dos Estados repressivos de cariz totalitário?…

2) É também deplorável verificar a confrangedora pobreza da argumentação utilizada pelo Conselho da Europa para justificar a irresponsável legalização de todos imigrantes clandestinos entrados em Portugal.

Sustenta esse Conselho que a necessidade de o imigrante ter de fazer prova de possuir meios de subsistência para permanecer em território nacional, mormente através da exigência da exibição de um contrato de trabalho, o coloca à mercê do patrão, que se pode aproveitar da situação de dependência do trabalhador imigrante, do estado de necessidade que ele tem em que o contrato seja formalizado, para o explorar laboralmente.

Perguntamos: será que as luminárias do Conselho da Europa não se apercebem que os eventuais abusos das autoridades patronais serão muitíssimos superiores numa situação de imigração totalmente desregulamentada para um país de mercado de trabalho limitado, mercado esse completamente incapaz de absorver os gigantescos fluxos imigratórios que dessa circunstância adviriam? É claro que a primeira e imediata consequência de tal medida seria a queda em flecha do custo do trabalho, com uma concorrência selvagem absoluta instalada entre imigrantes e imigrantes e trabalhadores nacionais...

A título de curiosidade, relembre-se que, nos EUA, vários membros proeminentes da comunidade negra contestam a imigração, particularmente a imigração ilegal, com o pretexto de que os negros são os principais prejudicados com a concorrência da mão-de-obra hispânica. Também isto é racismo?

3) Por outro lado, parece-nos inadmissível que o Conselho da Europa se admire com o facto de a população portuguesa preferir os imigrantes do Leste europeu aos imigrantes africanos, vislumbrando nesta postura uma atitude racista.

Ora, antes de mais, o Conselho da Europa parece ter esquecido que os portugueses são um povo soberano e que uma das prerrogativas de um povo soberano é exactamente estabelecer relações, sejam elas políticas, económicas, militares ou culturais, com quem melhor julgue servir o próprio interesse nacional, sem que isso possa ser considerado uma discriminação face a terceiros.

Depois, o caso aqui não é de discriminação racial: os imigrantes de Leste são preferidos porque compartilham com os portugueses de um conjunto de comuns valores civilizacionais que muito facilitam a sua integração na sociedade de acolhimento. E não tem a imigração de Leste um cariz meramente económico, pacífico e ordeiro, sem intenções hegemónicas subentendidas e subreptícias face aos habitantes do Estado receptor, preocupada essencialmente em ser produtiva e laboriosa, empenhada em mudar a sua situação material sem culpar terceiros pela mesma? E não é o seu grau de criminalidade mínimo, quando comparado com o de outras comunidades imigrantes? E, não menos importante, não nos esqueçamos que os imigrantes do Leste regra geral, apesar das dificuldades económicas dos seus países, têm uma formação educacional e cívica muito superior à de imigrantes de outras origens.

É pois evidente que, a ter de existir imigração, preferimos que ela seja do Leste europeu.

Recordando o ensinamento de Thomas Sowell sobre esta matéria, entendemos que um Estado soberano tem o direito de seleccionar e escolher o capital humano que vai admitir dentro das suas fronteiras; somos, assim, contrários à posição do Conselho da Europa que  sufraga que os imigrantes devem ser escolhidos com base em critérios étnicos e rácicos, pois outra conclusão não se pode extrair da notícia que comentamos: o Conselho da Europa, de modo racista, quer que Portugal acolha no seu território imigrantes africanos pelo simples facto de eles serem africanos, sem mais.

Uma pergunta ao Conselho da Europa: se é racismo os portugueses preferirem os europeus de Leste, seria também racismo se, ao invés, preferissem os africanos ?


4) Finalmente, se um dia escrevermos um livro sobre práticas de desinformação, os textos da jornalista (?) Catarina Carvalho terão lugar de destaque em tal obra.

É pena que esta senhora, à revelia de toda a ética e objectividade jornalística, se dedique há muito a escrever no Expresso, sob a forma aparente de notícias sobre imigração, autênticos textos panfletários de apologia da imigração ilegal, não hesitando em usar refinadas técnicas de desinformação, denunciadas há muito por autores como Vladimir Volkoff - ver o seu livro sobre desinformação recentemente publicado em português. Repare-se como Catarina Carvalho usa nesta notícia o método que Volkoff denomina de "técnica das aspas", isto é, sob a aparência de uma citação, está, na verdade, a emitir a sua opinião pessoal sobre um tema, de forma tão primária, aliás, que nem sequer mostrou preocupação em ouvir os visados por tais ataques, tão convencida que estava de se encontrar a escrever um artigo de opinião e não noticioso.

Paulo Tomás Gastão, 2002