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Imigração em Portugal  - Problemas e consequências

IMIGPORT 3



Estracto da entrevista dada ao semanário francês "Figaro Magazine" de 28 de Setembro  por José Maria Aznar, primeiro-ministro espanhol:

"Figaro: De um país de emigração, a Espanha tornou-se um país de imigração. É um sinal de boa saúde. Mas será também uma fonte de preocupações ?

Aznar: Isso preocupa-me efectivamente muito.  Em cinco anos, passámos de 300 000 para cerca de 1 500 000 de imigrantes em situação legal. Nestes dois últimos anos, tivemos uma taxa de imigração  entre as mais elevadas da Europa. Ora , um país não pode acolher todo o mundo. É preciso  que não se faça demagogia acerca deste assunto, como o fizeram os socialistas: não podemos acolher todo o mundo, porque não temos os meios de assegurar a educação, a saúde ou a educação de todos. Devemos portanto ser muito duros para com a imigração clandestina. Porque infelizmente existe uma relação entre ela, as organizações criminosas e o crescimento da insegurança. E eu quero para os imigrantes em Espanha o que quero para os espanhóis no estrangeiro. Os espanhóis que não se esquecem que também foram imigrantes. Devem portanto respeitar profundamente os imigrantes. Ora, a mão-de-obra clandestina é explorada por redes criminosas. É inaceitável. E o discurso angélico dos socialistas é irresponsável. Porque no final, a factura da demagogia acaba sempre por ser paga pelo mais fraco, aquele que é explorado para além de qualquer controlo.

Figaro: Como resolver o caso dos clandestinos já instalados em Espanha ?

Aznar: Nós já fizemos uma importante regularização. Não haverá outra. A perspectiva de uma regularização é um apelo à imigração clandestina e ilegal.

Figaro: O seu Governo acusa Marrocos de laxismo para com os imigrantes clandestinos e os seus passadores. Quer detalhar ?

Aznar: Eu sei que Marrocos faz um esforço para lutar contra imigração clandestina. Mas acredito que uma cooperação mais estreita entre nós permitiria fazer mais. A Espanha está à disposição de Marrocos se este quiser desenvolver essa cooperação. Marrocos sabe o que deve fazer. Mas creio também que existem responsabilidades que nós não podemos assumir já que são exclusivamente marroquinas. “


A entrevista de J.M. Aznar merece-nos 2 reparos: O primeiro é o de que o Primeiro-Ministro espanhol tem mostrado coragem em tentar resolver o problema da imigração ilegal, propondo-se, inclusive ao nível da UE, que a cooperação e ajuda aos países emissores de mão-de-obra ilegal seja subordinada ao esforço que esses próprios países fazem no combate à imigração, proposta que foi recusada. 

Infelizmente em Portugal não tivemos nem temos dirigentes capazes de frontalidade para abordar este assunto quer no discurso quer nas medidas e o preço será cada vez mais alto.

O segundo reparo não pode deixar de ser negativo : Nas sociedades de economia de mercado, o argumento utilizado é que os imigrantes seriam indispensáveis por preencherem a oferta de trabalho existente no mercado, a qual por razões diversas não seria satisfeita pela mão-de-obra nacional. Ora, subrepticiamente, houve uma alteração gradual do discurso inicialmente utilizado por uma parte das igrejas católica e protestante e pela extrema esquerda, em que já não se olharia para a imigração em função das tais necessidades existentes no mercado laboral mas passou-se para um discurso sob a óptica dos imigrantes, i.e. do desejo que esses tais imigrantes teriam em viver na Europa, obrigação a que as nossas sociedades teriam que corresponder necessariamente sob pena de serem insensíveis à miséria do mundo ou não terem em conta a liberdade e a dignidade de cada pessoa. 

Se se aceitar expressa ou implicitamente estes argumentos, ficamos automaticamente condicionados, restando-nos apenas alegar com a falta de recursos humanos, materiais ou financeiros para aceitar mais imigrantes.

Passámos a uma alteração de conceitos, sob a designação de imigrante, salvo raras excepções ( como os provenientes dos países da Europa de Leste) encontramos sobretudo pessoas que são asilados sociais, não vêem necessariamente para trabalhar mas para viver. Passámos de uma migração laboral para um povoamento, o qual se transformará numa colonização por razões demográficas.

J. Medeiros 2002